Comando Burocrático de Caça aos Comunistas

Uma reunião do CBCC

O Comando Burocrático de Caça aos Comunistas (CBCC) foi uma dissidência do Comando de Caça aos Comunistas original, surgido em Brasília em 1969, que tentava organizar o modo anárquico como os comunistas costumavam ser caçados no Brasil (isso, é claro, na época em que eles ainda não estavam infiltrados nas esferas do poder e na mídia esquerdopata).

CBCC ontem e hoje.

A separaçãoEditar

O Comando de Caça aos Comunistas (CCC) foi um grupo formado por estudantes universitários de direita que se dedicavam a espancar estudantes universitários de esquerda quando não estavam passeando em Búzios ou no Guarujá. Organizados em grupos, eles cercavam estudantes de tendência comunista (facilmente identificados pela barba malfeita, sandália de tiras ou bolsa peruana) e desciam a porrada, por mais que as vítimas estivessem apenas estudando tranquilamente.

Uma facção do grupo, entretanto, sentia-se mal com o modo como as coisas eram feitas, já que nem sempre eles estavam disponíveis na hora dos ataques. Seria muito melhor se eles fossem agendados, para que os mais ocupados pudessem encontrar um espaço em suas agendas, entre uma viagem e um jogo de golfe, para espancar comunistas sem-vergonha.

Assim, numa reunião secreta realizada numa noite de março, um grupo liderado por um tabelião conhecido apenas como Palhares assinou a ata que criava oficialmente o CBCC. Depois de autenticá-la em cartório e publicar no Diário Oficial, o grupo estava finalmente pronto para agir.

Modo de usar agirEditar

(extraído da ata da Reunião Deliberativa Ordinária 08/1969):


Fica determinado, então, que:;

 
Exemplo de convocação do CBCC
  1. Todo ataque deverá ser proposto em uma das reuniões ordinárias semanais;
  2. A proposição deverá obter maioria simples para ser aprovada em plenário;
  3. Tendo aprovação em plenário, a Mesa Diretora deverá planejar a forma como o ataque será feito;
  4. Na semana seguinte, o plano traçado pela Mesa Diretora será encaminhado novamente a plenário, para votação;
  5. Caso o planejamento seja aprovado por maioria simples, passa-se à próxima etapa; se não for, as sugestões feitas durante a reunião ordinária deverão ser adicionadas ao planejamento, que deverá ser refeito pela Mesa Diretora e apresentado na semana seguinte, tantas vezes quantas for necessário para sua aprovação;
  6. Aprovando-se o planejamento, a Secretaria Executiva fica encarregada de enviar ofícios de convocação aos membros do CBCC, informando-os do próximo ataque (que não pode acontecer em menos de 3 (três) semanas após a reunião que aprovou o plano). Também serão enviados ofícios aos alvos do ataque, para que estejam presentes na data e horário marcados;
  7. O ataque será realizado na data e horário estipulados, caso estejam presentes pelo menos dois terços dos componentes do plenário, ou dois dias depois, no mesmo horário, com qualquer número de participantes.

Devido ao modo como os ataques eram planejados, o CBCC jamais conseguiu levar a cabo nenhum deles. Apesar de inútil, a organização (como tantas outras em Brasília) durou por muito tempo sem fazer nada, até ser extinta por um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso porque a organização lhe trazia más lembranças da época em que ele tinha sido comunista.

Pós-dissoluçãoEditar

 
Antiga sede do CBCC, atualmente abriga orgãos do poder judiciário. A estrutura é praticamente a mesma, a única mudança foi que a Dona Conceição se aposentou mês passado.

Após a debandada, seus membros, que a esta altura já não eram mais universitários, em larga maioria, aderiram ao funcionalismo público. Muito da estrutura do CBCC foi devidamente absorvida pelo Governo Federal (vide processo 0235/97-A) e seus membros reaproveitados para exercerem funções burocráticas nos mais diversos orgãos federais.

Outros, de espírito mais artístico, resolveram se juntar e, com a verba de manutenção arrecadada durante os anos de funcionamento do CBCC, criaram o Canal da Burocracia, vencedor do Troféu Imprensa de Sonolência 10 vezes seguidas. O diretor do canal, Afonso Palhares, declarou que não pretende alterar a programação do canal, já que não é muito partidário de inovações.

Ver tambémEditar